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Canção para o Perdão da Amada, I & II - Jason Carneiro

(Inédito)


I

Minha senhora, grávida de sonhos,
canções e risos multicoloridos,
repousa aqui teus olhos mal dormidos
de olhar apenas amanhãs medonhos.

Minha senhora, nossos sonhos gêmeos
suportarão a dor. Repousa aqui dos
teus temores, teus conflitos e dos
meus erros infinitos. Vem, espreme-os

todos contra o meu peito e, se puderes,
deixa de acusar o bem que vivemos
pela sanha dos nossos polifemos.

Perdão é dom e graça das mulheres:
perdoa, Amor. Perdoa de tal sorte,
que em teu perdão eu vença até a morte.



II

Não custa repetir: perdoa, Amor,
perdoa em mim o feito e o mal pensado,
todo meu gesto falto ou sem cuidado,
a febre que não soube ser fervor.

Perdoa, Amor, todo e qualquer pecado,
tudo o que fui e o que não pude ser,
tudo o que soube e fingi esquecer,
todo o importante que deixei de lado.

Perdoa, Amor, mas não só de entender
e de sorrir, perdoa-me tão fundo
e tão perfeito, que todo o meu mundo

renasça em tuas mãos. Deixa-me ser
apenas este amor por ti, que enfim,
sempre será todo o melhor de mim.

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