(Inédito)
I
Minha senhora, grávida de sonhos,
canções e risos multicoloridos,
repousa aqui teus olhos mal dormidos
de olhar apenas amanhãs medonhos.
Minha senhora, nossos sonhos gêmeos
suportarão a dor. Repousa aqui dos
teus temores, teus conflitos e dos
meus erros infinitos. Vem, espreme-os
todos contra o meu peito e, se puderes,
deixa de acusar o bem que vivemos
pela sanha dos nossos polifemos.
Perdão é dom e graça das mulheres:
perdoa, Amor. Perdoa de tal sorte,
que em teu perdão eu vença até a morte.
II
Não custa repetir: perdoa, Amor,
perdoa em mim o feito e o mal pensado,
todo meu gesto falto ou sem cuidado,
a febre que não soube ser fervor.
Perdoa, Amor, todo e qualquer pecado,
tudo o que fui e o que não pude ser,
tudo o que soube e fingi esquecer,
todo o importante que deixei de lado.
Perdoa, Amor, mas não só de entender
e de sorrir, perdoa-me tão fundo
e tão perfeito, que todo o meu mundo
renasça em tuas mãos. Deixa-me ser
apenas este amor por ti, que enfim,
sempre será todo o melhor de mim.