(Inédito)
Quase sem sombra, o dia se espraiava
pela janela aberta. A teus pés, entre ninhos de linhas
e sobras de pano, os frutos. Cantavas.
Pedal da máquina a coser o tempo:
essa não, a outra. Essa de novo,
e a tua voz esquecia-me de mim. Um pouco.
Subiam perguntas do chão da alma,
e explicavas a emoção das coisas.
Quatro meninos no espaço exíguo.
Tua vida era um dever, também. Mas cantavas.
Que outra coisa eu podia ser? Dever, cantar.
Eu te quero de volta, claro, mas o tempo é outro.
Lembrar, felicidade de cantiga.