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Repente, II - Jason Carneiro

(Inédito)

Tudo o que sonho é este sonhar de ti
em vidas nas quais não me reconheço.
Mudar de sobrenome, de endereço,
não adianta: eu penso que o extraí,

o sabre frio lateja, está fundido
ao aço do meu peito. Os teus cabelos
e o girassol que os orna: só de vê-los
o Sol põe-se em passeio distraído

e não retorna. Tudo em torno gira
em desalinho, vácuo sobre vácuo,
a vida que era nossa e se perdeu.

Escrevo uns versos como quem atira
um último chamado ao vento, fraco, o
rumor de uma esperança que morreu.

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