(Inédito)
Deixa demorar-te olhar adentro.
Procura a treva que não vês.
Ali, tua paixão por ti mesmo
corteja tudo o que não sabes
(o que não sabes de ti
transforma tudo o que tocas).
O que não sabes, o que não vês,
fez erguer essa muralha
entre muralhas vizinhas
para que estejas no centro,
de onde respeitas os outros,
conheces, aceitas, perdoa-os
(ó grande reino de corcéis armados,
estou cansado de esmurrar a rocha fria.
Talvez me deite junto à hera, sob a chuva
que, nem por ti, nem contra ti, porão abaixo
tuas cidades e castelos e teus dias.
A minha voz, atrás dos muros e das pompas,
sob os clarins e sob a marcha das falanges
talvez dissesse que não há um teu destino
senão o feito da tua própria ignorância).